quinta-feira, 15 de junho de 2017

GÊNERO NA ESCOLA: pequenas ações do cotidiano

Essa é uma reflexão pessoal, meu desejo é compartilhar os pensamentos e conexões, depois de ler o manifesto "Para educar crianças feministas" da autora Chimamanda Ngozi Adichie que surge como uma sugestão, não uma receita. Essa leitura abriu um diálogo com minha prática, com que acredito como educadora, professora e mulher. 


Uma leitura de 40 minutos e um turbilhão de relações.
Durante minha trajetória como pedagoga,, várias vezes fui chamada a atenção e convidada a refletir sobre minhas atitudes no ambiente escolar. Sou muito agradecida e hoje faço o mesmo quando ministro um curso. É muito gratificante observar o quanto uma fala pode transformar uma prática que era mais automática, menos pensada. 

Quando vi essa publicação fiquei interessada e no primeiro compartilhamento, muitas pessoas já criticaram sem ler, provavelmente, apenas pelo fato da palavra feminista estar no título. Quando acho algum assunto um tanto estranho, novo ou chocante para mim, guardo, penso, pesquiso, leio, troco com outras pessoas e depois chego a algum posicionamento sobre o assunto. 

Com tantas formações (eu sou daquelas doidas por um curso), ouvi diversos profissionais experientes e muitos puxões de orelhas, em relação a como tratamos nossas crianças, afinal o que está por trás da linguagem usada pelo adulto? Sim, as concepções! Então precisamos cuidar disso, nós formamos seres humanos e devemos considerar a educação das crianças na situação histórica, social e cultural em que estão inseridas.

Meninas e meninos precisam de uma nova postura em relação a educação que recebem. Nós precisamos disso, de uma oportunidade para formarmos uma sociedade mais justa, tolerante e respeitosa, menos preconceituosa, violenta e sem tantos estereótipos.

A editora Companhia das Letras compartilhou em sua página no facebook o seguinte:
"Para educar crianças feministas" traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, que deve começar pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido por homens e mulheres, por pais de meninas e meninos.
Partindo de sua experiência pessoal como mãe e filha, Adichie nos lembra como é moralmente urgente termos conversas honestas sobre novas maneiras de criar nossos filhos, e presenteia o leitor com o que chama de um mapa de suas próprias reflexões sobre o feminismo. O resultado é uma leitura essencial para todos aqueles que acreditam que a educação é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa".

Na mídia

Lembrei de alguns vídeos que me ajudaram a ampliar essa reflexão e foram muito compartilhados nas redes sociais, confira (assista todos antes de continuar a leitura):



Criar ambientes com direitos e oportunidades iguais para todos!

Não reforçar os estereótipos do que é ser mulher e do que é se homem!



É importante que tanto meninas, quanto meninos sejam incentivados a não reprimir seus sentimentos!


O papel da escola na desconstrução de estereótipos!


Meninas e meninos nascem com a mesma capacidade para aprender!


O que significa: fazer as coisas Tipo Menina?


Por uma infância sem estereótipos de gênero!




Querida Lego company:


Meu nome é Charlotte. Eu tenho 7 anos e eu amo legos, mas eu não gosto que existam mais pessoas de lego para meninos e quase nada de lego para meninas. Hoje eu fui a uma loja e vi legos em duas seções: as meninas com cor rosa e os meninos com cor azul. Tudo o que as meninas faziam era sentar em casa, ir à praia e comprar, e elas não tinham empregos, mas os meninos iam em aventuras, trabalhavam, salvavam pessoas e tinham empregos, até nadavam com tubarões. Eu quero que vocês façam mais pessoas de lego meninas e deixem elas irem em aventuras e se divertirem, ok!?! 



Obrigada, 
Charlotte






Querida Gap, 



Meu nome é Alice Jacob e eu tenho quase cinco anos e meio. Gosto de camisetas bacanas, como aquelas do Super-Homem e Batman ou de carros de corrida.

Todas as suas camisetas para meninas são cor de rosa e têm princesas ou coisas assim. As dos meninos são bem mais legais. Elas têm Super-Homem, Batman, rock-and-roll e esportes. Mas e as meninas que gostam desse tipo de coisa, como eu e a minha amiga Olivia?

Vocês podem fazer algumas camisetas realmente legais para meninas? Ou podem criar uma seção que não seja para meninos ou meninas, só para crianças? 



Obrigada, 

Alice Jacob.




Na escola

As relações de gênero são construídas desde a infância, são questões culturais, construção essa que pode ser modificada, pois são relações históricas e se deram de forma desigual. As relações existentes padronizam e normatizam comportamentos, expectativas. Já é tempo de desnaturalizar esses padrões, desconstruí-los, renová-los.

As relações de gênero estão na escola, assim como estão na sociedade. A escola educa as relações de gênero, talvez não explicitamente, não é um tema levado para a sala de aula com os pequenos de educação infantil e séries iniciais, mas o tempo todo se constrói um lugar para o menino e para menina.

É um assunto delicado, mas necessário. São pequenas ações e atitudes que podem abrir um mundo novo de possibilidades para as crianças.

A escola deve partir da premissa do respeito aos direitos humanos: as pessoas são diversas, são diferentes e isso não é motivo para discriminação e não pode gerar desigualdade ou violência.

O professor, assim como toda equipe precisam se informar, conhecer, ler, ouvir e olhar a própria prática, questionar sua postura, problematizar e questionar imagens que reforçam esses padrões. Exercitar o olhar, é um exercício diário. 

A escola também tem a função de apresentar figuras que quebram estereótipos sociais, fazer as crianças questionarem esses papéis.

O adulto é referência, é modelo. As crianças confiam no que dizemos e questionam quando acham necessário ( se houver espaço e escuta). Às vezes, ouvir o outro ou observar outras crianças livres (de papéis decididos socialmente) nas brincadeiras, já garante uma nova experiência ou uma reflexão sobre a quebra de estereótipos.

Os pequenos se agarram com muita força em relação ao que esperamos deles e buscam esse modelo. Devemos desconstruir essa separação do que é para menino e o que é para menina e possibilitar que todos possam experimentar de acordo com suas vontades. Uma conversa breve e bem explicada é importante para liberá-los a experimentar o papel que desejarem. Conversas pontuais, conversas mais abertas, individuais ou em grupo, o assunto interessa muito, basta começar uma conversa que os demais se envolvem em dar sua opinião.

As crianças são muito curiosas e querem entender como funciona o mundo e os assuntos mais complexos sempre aparecem. Alguns adultos preferem fingir que não ouviram ou fogem do assunto. Eu sempre quero falar para ampliar a visão delas, seja sobre gênero, família, sexualidade, religião, raça etc. Sempre mostrando que há caminhos distintos, há diferenças, há valores e crenças, e todos devem ser valorizados e respeitados.

Crianças devem ter os mesmos direitos e oportunidades, independente do gênero. A escola precisa oferecer uma gama de materiais para brincar e permitir que as crianças o façam sem restrição de papéis.

Segundo uma reportagem do portal Eduqa.me :

Educadores devem lembrar que, durante a infância e a adolescência, as crianças ainda estão em processo de formação – e isso inclui sua sexualidade. Catalogar objetos, cores, roupas como “para meninos” e “para meninas” acaba por gerar uma distorção na compreensão da realidade dos pequenos. Mesmo maquiagens e vestidos não precisam ser banidos entre os garotos: é comum usar da fantasia e dos personagens para superar situações reais, assim como usar batom ou esmalte pode ser uma expressão artística. Isso não irá “transformar” a criança em hétero ou homossexual – essa será uma descoberta que ela fará no futuro, sem qualquer relação com os brinquedos que utilizou quando menor. O saudável é permitir que ela explore suas alternativas sem julgamento.

Crianças pequenas já empregam a palavra gay como um xingamento e chamam meninos de mulherzinha caso usem fantasias com saias ou vestidos. Meninas que gostam de futebol, são vistas como "molecas", que preferem fantasias de super heróis e chuteira, são mais alternativas e aceitas. Mas se um menino usar rosa, passar maquiagem ou se vestir de princesa, a reação dos demais é bem desrespeitosa. 

Existe uma "preocupação" e um olhar se o menino será gay ou não, é muito grave que adultos que trabalham com a formação de crianças também estejam presos nesses estereótipos, querendo encaixar cada um numa caixinha. 

É comum encontrarmos bonecas com o sexo feminino na escola, mas e o sexo masculino? E bonecas e bonecos de pano com diversas representatividades?

Tem cor de menino, cor de menina? E brinquedo? Menino pode chorar? Existe sexo frágil? Coisa de menino, coisa de menina? Profissões adequadas? Espero que os vídeos tenham ajudado a refletir. Chega desse mundo rosa presente nos brinquedos: panelinhas e tudo que é tipo de brinquedo "para meninas". Não, na vida real o mundo não é rosa! Use panelinhas de metal, panelas de verdade...

Meninas são obrigadas a fazer balé e quantos meninos são julgados por não gostarem de futebol ou preferirem as meninas para brincar?

Já tive um aluno de 9 anos que brincava de boneca na escola, mas me solicitava para não tirar fotos, pois o pai não iria gostar de ver. E a escola, banca fotos de crianças brincando sem camiseta, meninas jogando futebol e meninos de vestidos (fantasia) e boneca?

Um dia, uma aluna me questionou o seguinte "Marcela, por que as histórias sempre começam "os homens" e as mulheres?". Falando do uso de homens para se referir a humanidade, já se sentindo invisível como mulher.

Não podemos deixar que a questão de gênero e de preconceito se naturalize na escola, se cada família tem sua educação, o papel da escola é oferecer uma nova visão. Temos questões muito serias para lidar: sexismo, misoginia, feminismo, racismo, estereótipo, sexualidade, discriminação e preconceito.

Não dá para fechar os olhos, deixar que crianças desumanizem outras crianças. Deixar que adultos que atuam na formação desses indivíduos reproduzam o que a sociedade precisa mudar. E não adianta só formação de professores, é uma mudança interna de conscientização, de abandono de postura para uma nova atitude para vida.

Na sociedade atual a escola já se depara com novas formações familiares e como conversar sobre isso com crianças pequenas? Os professores estão preparados? Estão abertos a discutir fora dos estereótipos?

Nos deparamos com muitas situações no cotidiano escolar, que refletem as crenças familiares e os estereótipos padrões, aparecendo como gozações, brincadeiras e até agressões.

O próprio conteúdo escolar, sem percebermos, apresenta aos alunos modelos de como pensar, agir e sentir referente aos gêneros, o que é adequado a cada um e o que se espera.

Quando você divide a turma entre meninos e meninas, você já pensou o porquê? Qual o objetivo? É importante que as crianças tenham as duas referências, separar por um motivo x e também não separar, propor se agrupar de forma diferente.

Precisamos mostrar as crianças que todos tem seu valor, nem melhor, nem pior. O que vale para menino, vale para menina, estamos falando da educação de crianças. Não podemos reforçar a desigualdade de gênero.

As crianças precisam crescer com toda sua potencialidade. Deixemos a criança se comportar como ela mesma, não ensinemos agradar os outros, ser boazinha, assim ela passará por cima dela mesma. Há crianças que não sabem ser elas mesmas, suportam e se sujeitam para ser aceitas pelo que os adultos esperam. Ensine honestidade, bondade, coragem, verdade, ensine a criança a falar o que sente quando estiver feliz, triste ou incomodada.

Eu adoro farejar todo tipo de conversa mais "cabeluda" entre as crianças e faço questão de colaborar com uma visão mais aberta: quando falo sobre algum assunto ou alguma palavra que elas acham que professora não fala ou não iria gostar de ouvir, abro um diálogo de confiança. É nítido na expressão facial delas o quanto dá um alívio saber que exitem as diferenças, que devem ser respeitadas e que seria muito chato se todos fossem iguais. Existem muitos livros na literatura infantil que ajudam a conversar sobre esses assuntos mais difíceis.


Teria muio mais para refletir...




Mais informações:

http://www.hypeness.com.br/2014/02/para-acabar-com-estereotipos-cadeia-de-brinquedos-sueca-cria-catalogos-de-genero-neutro/

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/10/02/interna_vidaurbana,600678/sete-situacoes-de-sexismo-no-cotidiano-das-brasileiras.shtml

https://aboycantoo.wordpress.com/the-influencers/

http://pacmae.com.br/a-menina-de-7-anos-que-explicou-estereotipos-de-genero-para-a-lego/

http://naescola.eduqa.me/carreira/educacao-de-genero-por-um-ensino-sem-coisa-de-menino-e-coisa-de-menina/


Material para donwload:

http://desafiodaigualdade.org/DOWNLOADS/PLAN_DesafioDaIgualdade_CADERNO-ATIVIDADES.pdf

http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2015/11/kit-gay-escola-sem-homofobia-mec1.pdf

Vídeos:

O que é ser homem
https://www.youtube.com/watch?v=ZJ64IPTAMSU
Completo aqui 
https://www.youtube.com/watch?v=jyKxmACaS5Q

Ideologia de gênero - Café Filosófico
https://www.youtube.com/watch?v=rRltL1dyuJc

Garotinha fala sobre roupas de meninos e meninas
https://www.youtube.com/watch?v=rPFzB6FIEOM

Menina questiona o sexismo
https://www.youtube.com/watch?v=LE7fzUx-rS8


CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e apareceu em inúmeras publicações, entre elas a New Yorker e a Granta. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Orange Prize e o National Book Critics Circle Award. Vive entre a Nigéria e os Estados Unidos. Veja o trailer de Meio sol amarelo, romance que concedeu à autora o Orange Prize:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-215958/trailer-19535051/
Assista ao TEDx da autora:
https://www.youtube.com/watch?v=hg3umXU_qWc
https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg
Parte do discurso foi musicada pela Beyoncé:
https://www.youtube.com/watch?v=IyuUWOnS9BY
Entrevista sobre a música:
http://gente.ig.com.br/cultura/2016-10-11/chimamanda-e-beyonce.html
Site: http://chimamanda.com/
Fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02561 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

LITERATURA INFANTIL: especial Anthony Browne

*Nessa indicação selecionei obras do autor Anthony Browne publicados pela editora Pequena Zahar.



Um simples passeio no parque e quatro visões distintas. Essa história tem quatro vozes e é incrível observar como uma simples situação pode ter pontos de vista tão diferentes, cada um de acordo com sua realidade, suas vivências.

As ilustrações são coloridas e com cenários bem detalhados. Dialogam com o texto e com o leitor de forma subjetiva (com o repertório de cada um), pois há várias formas e detalhes que contam e complementam a história, sem o texto dizer. 

Macacos que se comportam como pessoas e que têm cachorro de estimação! Com certeza as crianças vão adorar! 

O texto proporciona uma boa conversa sobre porque cada um se sente como tal, possibilitando conhecer melhor o mundo que habita cada criança, quais são suas percepções sobre as emoções e comportamentos dos personagens. O mesmo vale para as ilustrações, o que cada um conseguiu perceber que não conta no texto.



Tema muito contemporâneo: crianças que se apaixonam por certos temas ou assuntos e as famílias não tem tempo para ouvi-las.

A menina sempre tentava fazer o pai levá-la ao zoológico para ver os gorilas ou passear, mas ele nunca tinha tempo. Nunca faziam nada juntos. Até que na véspera de seu aniversário ela ganhou um gorila, mas era de brinquedo. E como a imaginação infantil, muitas vezes, supera e transforma a realidade, esse pequeno Gorila ganhou vida e convidou-a para passear. O Gorila fez tudo que ela queria que seu pais fizessem: um passeio simples cheio de alegria e carinho.

Quando a menina acordou, era dia do seu aniversário e papai tinha uma surpresa! Ela ficou muito feliz! O que será que aconteceu?



Ao começar a ler a história, pensei no tema "separação de pais" e segui curiosa. 

Um clima silencioso no café da manhã, mamãe não sabe quando papai vai voltar. O menino sente falta dele e gruda bilhetinhos por todo canto.

Com o desenvolver do texto, me deparei com traços do clássico Chapeuzinho Vermelho e fiquei mais interessada ainda.

A floresta é toda branco e preta, somente o menino é colorido e ele escolhe o caminho mais rápido para voltar logo para casa - caso o pai voltasse.

Em meio as árvores encontrei personagens e rostos parecem dar vida aos troncos, um tanto assustadora essa floresta! Durante o caminho diversos personagens dos contos tradicionais invadem a história e se interessam pela cesta que o menino carrega. Aqui, as crianças vão se divertir, adivinhando!

Começa a nevar ele encontra um casaco vermelho com capuz na floresta e veste. Chega na casa da vovó bate na porta e ...um final surpreendente te espera. Fiquei muito feliz!




Esse texto fala de dois irmãos, uma menina e um menino, que eram muitos diferentes e viviam brigando. Um dia, a mãe perdeu a paciência e deixou os dois resolverem os conflitos sozinhos do lado de fora da casa. Eles foram caminhando até um terreno baldio e entre provocações e medo, descobriram um túnel, o qual proporcionou uma conciliação.

Os irmãos puderam perceber a importância do amor, de se ajudar e serem parceiros, além de terem ficado com um segredinho guardado entre eles.

As ilustrações dão a sensação de medo e amor nos quais eles passam.



A capa traz um objeto bem esquisito, o que seria isso?

As crianças são muito literais e estão sempre com os ouvidos bem abertos, ouvem e fazem suas próprias interpretações.

Em certa manhã, um garoto começou a enxergar coisas estranhas em sua casa, alguns objetos estavam diferentes. Seu pai havia saído para buscar a mãe e disse que quando voltasse as coisas iam mudar.

O menino ficou com isso na cabeça, mas não entendeu muito bem. Então, foi para o lado de fora de casa ver se estava tudo normal por lá. Em todo lugar que olhava via coisas "sem pé nem cabeça". Ficou confuso e resolveu voltar para o quarto, ficar lá no escuro até que os pais voltassem e assim que eles chegaram viu o que tinha mudado.




Essa obra começa com um convite a adentrar as portas da imaginação com Willy, um macaquinho que carrega uma mochila cheia de livros e vive muitas aventuras.

São 10 histórias inspiradas em grande clássicos da literatura infantojuvenil: 5 infantis e 5 juvenis. Adultos se preparem para acessar as memórias de aventura! As crianças e jovens rapidamente acessarão seu repertório de histórias. 

A cada página o leitor participa de uma forma diferente: descobrindo um personagem ou colocando-se no lugar dele, continuando uma história, desvendando um mistério, respondendo questões, adivinhando situações e até sendo desafiado.

No final do  livro, Willy nos incentiva a criamos nossas próprias aventuras e encontramos os títulos dos clássicos que esse livro se inspirou.

As ilustrações dão um toque de realidade incrível às aventuras!




Sobre o autor

É um dos mais consagrados autores de livros infantis da atualidade. Nascido em Sheffield, na Inglaterra, cursou a Escola de Arte de Leeds. Por sua contribuição como ilustrador infantil, foi agraciado em 2000 com o prêmio Hans Christian Andersen, o mais alto reconhecimento internacional para criadores de livros infantis. Foi nomeado Children's Laureate entre 2009 e 2011. Suas aquarelas fortemente narrativas misturam realismo quase fotográfico com fantasia, toques surreais e trocadilhos visuais engenhosos. Extremamente habilidoso com cores, texturas e detalhes, transmite sutilmente em suas ilustrações uma empatia requintada para seus personagens solitários e sensíveis (tanto humanos como macacos). Os gorilas são comuns em muitos dos cerca de quarenta livros publicados pelo autor, que se diz fascinado pelo contraste entre força bruta e gentileza que esses animais reúnem.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

LITERATURA INFANTIL: indicações Brinque-Book

 Texto: Heloisa Prieto
Ilustração: LauraBeatriz

Nessa obra o leitor encontrará uma coletânea de contos tradicionais já conhecidos, mas com um toque especial da autora. E belíssimas ilustrações que dão vida as narrativas!

São seis contos recontados com muita imaginação e um novo olhar para os personagens, sem perder suas características. As crianças logo perceberão as diferenças e comentarão sobre elas. O que será que mudou em cada uma delas?

Há muitas possibilidades de interpretação e reinterpretação das histórias tradicionais, existem muitas versões de diferentes autores, inclusive contos modernos inspirados por essas antigas narrativas.

Essa leitura é um convite a invenção de novos contos, a possibilidade de criar com uma história já conhecida e recontá-la do seu jeito. Pode proporcionar uma boa roda história com diferentes olhares, um ótimo momento para conhecer o mundo da imaginação de cada criança e todo seu potencial.

Boa imaginação!


  Texto e Ilustração: Carolina Rabei
Tradução: Gilda de Aquino

Nhac é um Porquinho-da-Índia que adora comer, mas será que ele não sente falta de mais nada? Não se incomoda de passar o dia todo comendo sozinho em sua gaiola?

Certo dia, um rato se aproxima e conversa com ele, querendo um pouco da sua comida. Será que Nhac aceitou dividir? E você dividiria?

Uma ótima leitura que trata de um dilema infantil na fase em que estão aprendendo (conscientemente) a compartilhar, por volta dos 4 anos. Que tal uma boa roda de conversa sobre essa história? 

As ilustrações são muito ricas, detalhadas e expressivas, as marcas remetem a técnica de carimbo.

Boa partilha!

 Texto: Bia Hetzel 
IlustraçãoMariana Massarani

Mais um dilema infantil para os que fazem uso da chupeta. Quem sabe um dos primeiros dilemas da infância: largar a chupeta.

A chupeta tem muito valor para Joca, um menino que já está grande e continua com sua chupeta, afinal eles estão juntos há tanto tempo e  criança grande não chupa chupeta! Agora é preciso largar a chupeta, mas todas as ideias não o convenceram, até que sua tia contou sobre um balde mágico onde as crianças jogavam as chupetas. E qual seria a mágica? Será que Joca aceitou? 

As ilustrações são de uma grande ilustradora brasileira. A cada página uma apreciação dos traços, cores, estampas e composições. São desenhos sofisticados e alegres, que retratam exatamente o que o texto diz.


Momento sensível e que precisa de tempo. Desencorajar a criança aos poucos e inventar um fim para a chupeta pode ser um desafio para os adultos e, principalmente, para as crianças. 


O balde de chupetas é uma história que pode ajudar a conversar com a criança e colocar a ideia em prática ou mesmo inventar outra solução criativa.

Boa mágica!


Texto e Ilustração: Guido Van Genechten
Tradução: Camila Werner

Posso ir ao banheiro? Onde fica o banheiro? Estou muito apertado! Preciso ir rápido! Vai escapar! 
Crianças pequenas passam apertos, muitas vezes não querem deixar de fazer o que estão fazendo e vão deixando o banheiro para depois.

Vamos conversar sobre isso? Que tal essa história para começar?

Ao abrir o livro, já nas primeiras páginas, há penicos e plaquinhas com mensagens que são encontradas ao longo da narrativa. A cada página um penico está ocupado por um animal, até que ele se depara com um banheiro vazio e tenta usá-lo pela primeira vez. O que será que aconteceu? Será que o cachorrinho consegue fazer suas necessidades?

Leitura indicada para crianças que já podem deixar de usar o penico e experimentar o vaso sanitário pela primeira vez. As ilustrações são bem grandes e é possível identificar ao uso de giz e aquarela.


Corra e bom...



Texto: Didier Dufresne
Ilustrações: Armelle Modéré
Tradução: Gilda de Aquino

Em uma bela manhã de segunda-feira, o lobo recebeu um presente pelo correio, era da vovó Loba. Ele ficou animado, tentou descobrir o que era e quando conseguiu ver um pedacinho do que tinha dentro do embrulho foi horripilante!

Logo pensou em algo para se livrar daquilo e resolveu presentear o amigo urso, que também não gostou e repassou o presente. De bicho em bicho, em pleno domingo de manhã, o presente foi parar novamente na porta da casa do lobo. E agora o que o lobo fez com o presente? O que será que tem dentro daquele embrulho?

Boa surpresa!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

LITERATURA INFANTIL: indicações do mês de abril.



Texto e Ilustrações: Renato Mariconi
Editora: Pequena Zahar


É dia de festa e esse unicórnio se pôs a cavalgar. Em um reino distante todos aguardam sua aparição com grande festividade, será que o unicórnio sabia de tal festa? O que ele esperava encontrar?

Nessa obra, texto e ilustrações disputaram minha atenção. 

O personagem principal gera certa curiosidade e a cada página virada as ilustrações, que são colagens e intervenções em grandes obras de arte, surpreendem  o leitorA narrativa é instigante e te leva a querer chegar logo ao fim para saber o que acontece. 

Para quem gosta de arte e deseja saber mais sobre as obras, no fim do livro o autor disponibiliza todas as referências. Para quem já conhece, será fácil fazer pontes e encontrar outras histórias dentro dessa história.

Boa surpresa!



Texto e Ilustrações: Matze Doebele
Tradução: Hedi Gnadinger
Editora: Peirópolis

Essa história tem como tema central a diferença e a felicidade. Pipo é um pouco diferente da sua família e não se sente tão feliz, a sua família tenta ajudar, mas os amigos riem dele e dizem que parece um pinguim. Certo dia, o corvinho decide sair pelo mundo e com a ajuda de um gato procura onde moram os pinguins, já que dizem se parecer mais com ele, mas será necessário passar por um teste. Será que Pipo conseguirá se arriscar nessa aventura à procura da felicidade?

Coragem e boa leitura!


Texto e Ilustrações: Ellen Pestili
Editora: Cortez

Esse livro é uma coletânea de parábolas bíblicas adaptadas para crianças.

A apresentação do príncipe é muito pertinente comparada aos contos de fadas que vivem no imaginário das crianças: nada de riqueza, nem poderes materiais.
Era um príncipe que andava a pé, amava a natureza, os animais e todas as pessoas ricas ou pobres, mulheres, homens e crianças. Ele encantava as pessoas por falar belas palavras. Todos queriam ouvi-las!

Esse príncipe chamava-se Jesus e gostava de contar muitas histórias cheias de ensinamentos e sabedoria, diversas pessoas o compreendiam e acreditavam nele, enquanto muitas outras não.

O livro apresenta cinco parábolas contadas de forma sensível e curiosa. As ilustrações são uma graça! Coloridas e aquareladas, complementam o texto apresentando o contexto e os costumes da época. A narrativa é tão detalhada que abre bastante espaço para imaginar o cenário da história.

As crianças podem aprender sobre bondade, compaixão, paciência, amor, perdão e humildade. 




Texto: Luciana Sandroni
Ilustrações: Eduardo Albini
Editora: Escarlate


Essas obras fazem parte de uma série de livros de muito sucesso, que serão reeditadas pela Escarlate.

Ludi é uma menina de 8 anos que vive aventuras muito interessantes, ela viaja pelo tempo e mergulha em fatos históricos da cidade do Rio de Janeiro com muito humor, imaginação, ficção e suspense! A narrativa é um convite envolvente para pular dentro da história, além de permitir trabalhar com temas da Historia do Brasil.

Ludi E OS FANTASMAS DA BIBLIOTECA NACIONAL

O título já anuncia um suspense que fica entre a ficção e os fatos reais. Você sabia que essa é a biblioteca pública mais antiga do Brasil? Seu acervo é composto de muitas obras vindas da Europa. Será que a biblioteca guarda algum tesouro? Será que fantasmas habitam esse lugar?
Confira a aventura fantasmagórica que a família Manso percorreu nessa visita e corra para fazer a sua!

Ludi NA CHEGADA E NO BOTA-FORA DA FAMÍLIA REAL

Nessa obra uma viagem no tempo conduz a narrativa, Ludi e sua família embarcam nessa e vão parar em 1808 quando a Família Real chega ao Rio de Janeiro. O que será que Ludi e sua família vão vivenciar em pleno século XIX? Ela deseja conhecer a história de perto e se divertir com Dom Pedro I, conhecer os costumes e presenciar as mudanças. Será que essa viagem vai dar certo? Teria como mudar o rumo da História? 


Boa diversão!



Texto: Cristina Villaça
Ilustrações: Rafa Anton
Editora: Zit

Os dois livros envolvem temáticas contemporâneas muito importantes. Assuntos delicados para contextualizar uma conversa com as crianças e esse texto ajuda, e podem criar uma ponte pra conversar, em uma linguagem acessível a elas.

Sobre preconceito e novas formações familiares, Três mocinhas elegantes trata da história de uma filha e suas duas mães, que convivem com comentários maldosos sem a menina entender o porquê.

Sobre a diversidade em família, O irmão do meu irmão trata da história de uma menina que precisa se acostumar com a ideia de ter um irmão, filho da esposa do seu pai.

Conheça esses belos e sensíveis textos!

domingo, 26 de março de 2017

EU E A FOTOGRAFIA: um percurso na educação.


Como escrevi no artigo anterior http://culturainfantilearte.blogspot.com.br/2016/11/eu-e-fotografia-construcao-de-um-olhar.html , meu olhar para fotografar na escola modificou-se aos poucos, de acordo com as minhas experiências pessoais.

É um prazer clicar a potencialidade das crianças! Trabalhar em diferentes escolas, com práticas e concepções distintas, contribuiu muito para minha formação como professora e, consequentemente, para esse olhar.

Outros fatores que também foram importantes nesse percurso: 


  • em 2012, criei esse blog para compartilhar minha prática, tinha muitos registros interessantes acumulados nos últimos anos;
  • em 2013, trabalhei com o currículo organizado por projetos interdisciplinares e conheci pessoalmente as escolas de Reggio Emilia;
  • em 2014, tive a oportunidade de implementar e atuar como professora de FI no período complementar de uma escola particular em SP. Com uma proposta mais aberta, onde a observação se fez essencial para criar propostas a partir também do interesse dos alunos, registrei tudo, fotografei os processos e as surpresas do cotidiano.
Além do exercício, praticamente, diário de fotografar de tudo um pouco, realizar testes em casa e assim aprender a usar as funções da câmera. Aprendizagem que de tempos em tempos preciso retomar dependendo do quanto mantenho a prática.

Como já citei, meu olhar tornou-se mais investigativo, não registrava apenas para documentar, mas também para aprender, para refletir e para interpretar o que as crianças queriam me dizer com seus fazeres, principalmente, nos momentos de maior liberdade e criação.

Quando conheci o trabalho do professor André Carrieri, fiquei interessada em participar de um curso ministrado por ele, mas nunca dava certo, até que consegui! O que também contribuiu para meu desenvolvimento com a fotografia.

Aprendi os tempos desse processo fotográfico, o movimento inseparável de fotografar e pensar sobre essa ação. E como uma linguagem organizada que provoca, sensibiliza, traduz e proporciona visibilidade ao percurso educativo no cotidiano escolar, precisamos estudá-la.


Foto de André Carrieri

Foto de André Carrieri
Depois de 5 encontros com diversas vivências e trocas, cada participante foi criando seu estilo, apurando seu olhar, tomando decisões, experimentando novas formas...até se encontrar.

O que mudou depois do curso?

Pra começar as vivências em grupo, trocas e reflexões foram essenciais: ouvir o outro, refletir sobre o trabalho do outro, se abrir para outros pontos de vista. Estar em grupo é o primeiro ponto que me fez sair do lugar.

Depois outras dúvidas foram aos poucos esclarecidas pelo professor conforme nossas vivências:
  • Como decidir se a foto fica melhor em preto e branco ou colorida?
  • Qual é a melhor resolução para cada tamanho de ampliação?
  • Recortar a foto, tirar de perto ou usar zoom?
  • Quais são os melhores enquadramentos, dependendo do que você quer e pode mostrar? 
  • Que quantidade de fotos são suficientes para contar uma história?
  • Que critérios eleger para seleção de fotos?
  • Que infância você está fotografando? Você vê o que a criança mostra ou vê o que acha que vê?
  • O que a criança quer dizer com determinado gesto ou ação?
  • Você tira ou faz fotos?
  • Como está posicionado seu corpo ao fotografar?
  • dentre outras perguntas...
Foto de Bianca Franchi

Foto do Centro de Estudos Encontros e Conexões Pedagógicas
 É importante considerar que:

  • o trabalho com a fotografia dá visibilidade a prática pedagógica. Revela concepções, olhares e aprendizagens;
  • quando uma foto ou uma sequência de fotos é escolhida, tem uma intenção, elas passam uma mensagem. Prefira tirar fotos espontâneas, fotos de poses permeiam outros valores, que não esses que aqui me dedico;
  • aos poucos as crianças se acostumam com a câmera e não se importarão mais de serem fotografadas, nem farão poses, se for o caso tire uma com pose e outra sem;
  • compartilhe com as crianças o porque das fotos, para onde vão, o que contam; mostre à elas no computador ou no telão, deixe-nas participar desse processo e até tirar fotos, elas são capazes, acredite! Já nasceram no mundo digital;
  • se for divulgar em redes sociais ou circulação interna, peça autorização das famílias desde o início do ano;
  • não compartilhe fotos dos seus alunos nas suas redes sociais, a não ser que a escola publicou primeiro (somente fotos sem o rosto ou nome da escola);
  • troque com seus colegas, crie um espaço de diálogo, nem sempre conseguimos ver o que a criança está contando e outras interpretações contribuem muito; 
  • fotografia é prática e criatividade, ninguém nasce sabendo ou tem "o dom";
  • encante mais pessoas ao seu redor, faça registros autorais e coletivos;
  • planeje o que você deseja fotografar, nem sempre é fácil devido à diversas formas de agrupamentos e quantidades de crianças por professor;
  • ao tirar uma foto, olhe também para o fundo, o espaço, a luz;
  • pesquisar e conhecer sobre fotografia é necessário para aprimorar o olhar;
  • lembre-se que embora a câmera ajuda muito na qualidade da foto, é você que está por trás dela, sua visão;
  • a câmera é o seu brinquedo, divirta-se!

Foto do Centro de Estudos Encontros e Conexões Pedagógicas


Foto de Bianca Franchi

Depois descobri um estilo próprio e autoral: fotografar, propositalmente, também do ponto de vista do adulto, de cima pra baixo, mostrando o que as crianças estão fazendo no parque. Confira o perfil @culturainfantil no instagram.



Folders do Centros de Estudos Encontros e Conexões Pedagógicas




Essas são algumas fotos que apresentei na Mostra em 2016, finalizando a formação.









Sobre meu tema: passei a me concentrar mais nas ações e nos gestos, do que me preocupar se os objetos e os brinquedos estavam em bom estado ou em mostrar as crianças. Percebi que as panelas velhas faziam sucesso e o importante é brincar. As crianças são fantásticas, basta conseguir observá-las e deixá-las criar!


Sempre há pelo menos três pessoas em toda fotografia: o fotógrafo, o sujeito ou objeto fotografado e o espectador. Ansel Adams
Às vezes existe uma única foto cuja composição possui tanto vigor e tanta riqueza, cujo conteúdo irradia tanta comunicação, que esta foto em si é toda uma história. Henri Cartier-Bresson
Você não pode depender dos seus olhos quando sua imaginação está fora de foco. Mark Twain
A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a verem sem uma câmera. Dorothea Lange
Só você e sua câmera. As limitações em sua fotografia estão em você mesmo, porque o que você vê é o que você é. Ernest Haas
Fotografar é, num mesmo instante e numa fração de segundo, reconhecer um fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente que exprimem e significam este fato. É colocar na mesma mira a cabeça, o olho e a emoção. No que me concerne, "fotografar  é um meio de compreender". É uma forma de gritar, de se liberar e não de provar ou afirmar sua própria originalidade. Henri Cartier-Bresson 


Foto de Bianca Franchi







Foto de André Carrieri
Foto do Centro de Estudos Encontros e Conexões


Para saber mais...



Um curso semestral oferecido pelo Encontros e Conexões Pedagógicas, confira a página no facebook:  www.facebook.com/encontroseconexoespedagogicas

Um registro de outro curso 2014/2015: